“Aprender na comunidade, com ela e para ela, significa usar a história de sua própria região, exteriorizando a cultura do silêncio. Significa aprender a engajar-se na sua própria região, tornando –se consciente da situação sócio-política e lutando para que as sociedades fechadas sejam transformadas em sociedades abertas...é uma questão de urgência que as escolas se tornem menos fechadas, menos elitistas, menos autoritárias, menos distanciadas da população em geral. Isso é para a educação comunitária uma questão de fundamental importância”.
Paulo Freire
Objetivo da Educação Comunitária:
Formar, desenvolver um “sujeito coletivo”, isto é, sujeitos que se compreendam em meio à coletividade, que se tornem co-responsáveis pelas ações, relações, conflitos e decisões que ocorrem na comunidade.
Educação Comunitária e contextos educativos:
Currículo: traz as demandas e os interesses da comunidade que passam a fazer parte da escola e do trabalho pedagógico. Os temas vivenciados passam a ser discutidos, a ser problematizados à luz dos conhecimentos das disciplinas, através de um tema, de um projeto, e o aluno passa a ter uma posição crítica frente aquilo que acontece no lugar onde ele mora.
Os Direitos Humanos (DH) são comuns a todos sem distinção de etnia, nacionalidade, sexo, classe social, nível de instrução, religião, opinião política, orientação sexual, ou qualquer tipo de julgamento moral. Decorrem do reconhecimento da dignidade intrínseca de todo ser humano. Uma sociedade só é democrática se houver os direitos humanos, dentro dos princípios de igualdade, liberdade e solidariedade.
Os DH na escola se traduzem em conhecimentos, valores e ações necessárias à formação dos cidadãos em sociedades democráticas e ao desenvolvimento integral do ser humano.
Os DH podem ser trabalhados através de projetos em educação comunitária. Temas que podem ser trabalhados:
· Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948);
· Direitos das Crianças e Adolescentes;
· Discriminação Racial;
· Discriminação contra a mulher;
· Direitos relacionados à Educação;
· Gênero e orientação sexual na educação.
Imagine uma escola...
sem muros, aberta à comunidade, que beneficie a todos e também seja cuidada por todos. Uma escola imensa, com quadras de esporte, praças e parquinhos, cinemas, teatros, museus, ateliês, entre muitas outras oportunidades. Uma escola em que o saber acadêmico tenha tanto valor quanto o saber popular e em que o currículo seja uma grande trilha, ao longo da qual se vivenciem experiências e descobertas. Muitos de vocês devem estar pensando que toda esta descrição não passa de fantasia. Um delírio de quem nunca viveu o dia-a-dia de uma instituição de ensino. Afinal, como ter segurança e controle, se não temos muros?Como viabilizar toda essa infra-estrutura, se os recursos são finitos? Como proporcionar experiências, se há tanto conteúdo a ser passado? “Diretores e professores não são mágicos”, diriam os mais céticos. Outros podem ter acreditado que a descrição que abre este capítulo seja, na verdade, uma grande metáfora. Uma alusão à “escola da vida”, ou seja, aos processos pelos quais passamos ao longo da nossa existência, que nos ensinam a lidar com os desafios, as alegrias e os dramas cotidianos. Mas também não é disso que estamos falando. A escola que descrevemos tem origem na percepção de que a educação, enquanto processo complexo e contínuo prescinde de muito mais recursos e oportunidades do que uma instituição educativa convencional é capaz de oferecer. As exigências nessa área são crescentes. As famílias querem que os professores cuidem de seus filhos e os disciplinem e preparem para a vida. O mercado de trabalho demanda profissionais cada vez mais qualificados. A sociedade necessita de cidadãos mais conscientes e participativos. As escolas são pressionadas a oferecer todas essas respostas, mas não conseguem dar conta nem das suas funções mais elementares, em parte por conta de problemas passíveis de serem resolvidos se o nosso país levasse mais a sério a educação, em parte por exigirmos que um único ator social assuma uma responsabilidade que cabe a todos nós. A Constituição Brasileira, em seu artigo 227, diz que é dever da família, do Estado e da sociedade cuidar de suas crianças e seus adolescentes com absoluta prioridade, garantindo-lhes acesso a seus direitos fundamentais, inclusive à educação. Somos todos, portanto, co-responsáveis por essa missão. Sob essa perspectiva, fica claro que, ainda que isso fosse possível, não cabe apenas à escola a tarefa de educar. A escola que descrevemos deixa de ser sonho quando toda a comunidade se transforma numa grande sala de aula. Quando os alunos passam a aprender física na oficina mecânica, literatura na biblioteca do bairro, química na cozinha de um restaurante, história nos museus e monumentos, artes nos teatros e cinemas da cidade. A Educação Comunitária acontece neste momento, quando os processos formativos extrapolam o contexto escolar e tomam conta das ruas, adentrando espaços públicos, estabelecimentos comerciais, associações e centros culturais. Uma invasão consentida e planejada, articulada pela escola em estreita parceria com toda a comunidade. Trata-se de uma nova cultura, forjada a partir desse novo olhar sobre a educação, em que a escola deixa de ser o único espaço educativo para se tornar catalisadora e articuladora de muitas outras oportunidades de formação. Uma nova forma de pensar e fazer educação, a partir de processos geridos com a participação da própria comunidade, envolvendo múltiplos espaços e atores, com o propósito de desenvolver o capital humano e fortalecer o capital social de um bairro, uma região ou toda uma cidade. Entendemos por capital humano a capacidade que cada indivíduo tem de superar as adversidades e aproveitar as oportunidades com as quais se depara ao longo da sua existência. Capacidades estas principalmente associadas ao seu nível educacional e às suas condições de saúde e bem-estar.
Fonte: http://cidadeescolaaprendiz.org.br/institucional/upload/instituicao_arquivos/Trilhas%20Educativas%20livro.pdf

